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Fonte: Jornal Combate, nº 2, Portugal. |
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Enquanto em Moçambique, por exemplo, a Junta de Salvação Nacional e o Governo Provisório prosseguem uma política neo-colonial, em Angola procuram prosseguir uma linha colonialista tradicional.
Assim, o novo governador de Angola, que já desempenhara esse cargo nos anos sessenta, é um indivíduo da extrema-direita salazarista. Em Angola, o governo provincial não sofreu a transformação neo-colonial que se verificou noutras colónias e permanece sob o controle dos mais ferozes colonialistas, que dominam também a generalidade dos meios de informação.
Em Angola, a repressão não só continua como, em certos aspectos, aumentou. Os colonos brancos, com o apoio das autoridades, organizaram dois exércitos secretos, um no Sul e outro no Norte, com o objectivo de prosseguir a luta contra o movimento anti-colonialista e anti-imperalista do povo angolano. A revolta dos soldados contra a guerra leva os colonos brancos a organizarem-se militarmente e a pensarem em lutar independentemente do exército.
Além disto, as forças especiais do exército, que reúnem os elementos mais reaccionários, aumentaram os atentados bárbaros contra os trabalhadores angolanos. Nalguns casos, esses atentados consistem em atirar granadas para o interior dos miseráveis bairros dos trabalhadores negros. Estes e outros actos criminosos, como o de sabotar o abastecimento de água aos bairros negros, etc, fazem parte do plano de actuação dos colonos, que tentam atemorizar os trabalhadores angolanos.
A situação actual em Angola é, pois, de uma aguda luta de classes, em que os colonos ultra-reaccionários, apoiados pelo governo democrático-colonialista de Lisboa, tentam desesperadamente lutar contra a vaga crescente do povo angolano. O movimento revolucionário em Angola, com a luta armada nas zonas rurais e com o grande surto grevista nas zonas urbanas e industriais, triunfará de todos os seus miseráveis inimigos, sejam eles os colonos ultrafascistas ou os neo-colonialistas da Junta e do Governo Provisório.
Nestas condições, um imperioso dever de todos os trabalhadores portugueses é o de reforçarmos o nosso apoio a luta revolucionária dos trabalhadores de Angola e de todas as outras colónias. Uma das formas desse apoio consiste em divulgar o que se passa em Angola, em dar conhecimento das actividades criminosas do colonialismo apoiado pelo neo-colonialismo do Governo Provisório e da Junta, e em divulgar a organização revolucionária dos trabalhadores e do povo angolano na sua luta.
É neste sentido que transcrevemos aqui parte das propostas aprovadas numa reunião anti-colonial realizada em Luanda de 11 a 15 de Junho. As propostas e as moções aprovadas nessa reunião foram enviadas a todos os órgãos de informação portugueses; mas a censura interna feita pelos capitalistas proprietários dos jornais e pelos seus servidores, bem como a censura governamental sobre a rádio e a televisão, impediram a sua divulgação. Quebrar a cortina de silêncio com que a burguesia tenta envolver a luta triunfante dos trabalhadores das colónias será um dos principais esforços deste jornal.
Reunidos em seminário sobre o «Colonialismo e Neo-Colonialismo» os presentes em 15/5/74 na sede da Liga Nacional Africana, decidem o seguinte:
1.° — Que o 25 de Abril em Portugal, representa uma brecha decisiva aberta no seio do Colonialismo português;
2.º — Que, para o avolumar das contradições internas que conduziu a burguesia portuguesa a ter de se auto-determinar, foi preponderante a luta dos povos de Angola, Moçambique, Guiné e Cabo Verde e dos seus legítimos representantes (bem como do povo português, seu aliado natural, representado pelas suas organizações progressistas e anticolonialistas);
3.º — Que, mais de um mês passado sobre o 25 de Abril é nítida e ciara a intenção da junta que governa Portugal, de não conceder a independência total e imediata às suas colónias;
4.º —_Que a liberdade da vida política em Angola não se realizou, uma vez que a abertura foi mínima e rigorosamente controlada, mantendo-se as estruturas repressivas fascistas como a PIDE-DGS, e outras;
5.º — Que urge romper o actual bloqueio, em todas as direcções possíveis e utilizar a margem de manobra consentida na actual situação, alargando-a progressivamente, de modo a tornar mais efectivo o trabalho de todos os que lutam pela independência total e imediata de Angola (e dos outros povos submetidos ao jugo colonialista português);
6.º — Que este trabalho se torna urgente dadas as visiveis e reais intenções do colonialismo português (e do imperialismo em geral) em não abdicar das posições de previlégio que ocupa, as quais são a verdadeira causa da exploração e miséria do povo;
7.º — Que o 25 de Abril e a recente evolução dos acontecimentos em Angola e Portugal nos devem por de sobreaviso no sentido de que esta não representa para os povos angolano, moçambicano, guinéu, cabo verdiano e também português, mais do que um importante salto em frente na sua luta pela libertação e total independência;
8.° — Que as burguesias portuguesa e angolana, agentes do imperialismo, são o verdadeiro inimigo do povo;
9.º — Que os órgãos de comunicação social se encontram nas mãos da burguesia colonialista, agora, em desespero de causa, tentando descaradamente uma via neo-colonial;
10.º — Que urge combater este estado de coisas, através de uma correcta acção de apoio ao povo angolano:
1.º — A criação de Grupos de Estudo e Trabalho Anti-Colonial de Angola, integrando todos aqueles que pelas vias do estudo, do trabalho concreto e da accão directa estão dispostos a colocar-se ao lado dos camponeses e operários de Angola e dos seus legítimos representantes, na sua luta pela libertação e pela independência total e imediata:
2.° — Que as funções principais da G.E.T.A.C.A. consistam em:
a) — Romper o bloqueio imposto ao movimento popular pela arbitrariedade repressiva dos agentes da burguesia, através da edição de textos, jornais, realização de reuniões de estudo e culturais, comícios de esclarecimento, implantação de núcleos nas escolas, nos locais de trabalho e outros pontos de reuniões da população, sempre que tal seja possível;
b) — Desenvolver uma analise da situação actual e das perspectivas novas que se abrem a uma acção de esclarecimento político da população. Incluindo o desmascaramento dos activistas novos e antigos que aliando-se à burguesia colonialista tentam em desespero de causa atrelar-se à última carruagem do comboio colonial;
c) — Aliar-se à legitima luta do povo angolano e dos seus legitimos representantes em tudo quanto foi achado opurtuno, no sentido de precipitar a derrocada do colonialismo e do imperialismo em Angola;
d) — Contactar e alertar os naturais aliados do povo angolano na presente situação no sentido de intensificar a ajuda aos seus legítimos representantes impedindo toda e qualquer manobra neo-colonialista, promovendo deste modo a unidade de todas as forças progressistas anti-imperialistas em torno deste objectivo;
e) — Tendo em vista o que precede, marcar para um dia da semana que vem, uma 1.ª REUNIÃO GERAL onde serão apresentadas propostas concretas de organização interna e acção, aceitando-se desde já sugestões e formando-se de imediato uma comissão organizadora.
1 — A luta travada pelo povo angolano em armas é justa e é a única forma eficaz de esmagar todas as formas de exploração;
2 — Todas as outras formas de luta politica são um complemento importante da luta armada;
3 — O inimigo colonialista não desarma e tenta, por todos os meios, perpectuar a exploração do nosso povo e das riquezas da nossa terra:
1 — Repúdio a todas as formas de independência fantoche.
2 — Um apelo a todas as forças progressistas no sentido de intensificarem a luta, por todos os meios e formas possíveis até à vitória final.
3 — Apoio incondicional à justa luta do heróico povo angolano, no seu combate libertador, dirigido pela sua vanguarda revolucionária o M.P.L.A.
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